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Breve resenha histórica sobre o criador dos Jogos Olímpicos da era moderna Autor: Júlio Lourenço
Pierre de Frédy (1863 - 1937)
Nascido em Paris no seio de uma família nobre, ficou conhecido pelo seu título aristocrático, Barão de Coubertin. A sua formação académica foi em História e Pedagogia infantil. Foi no decorrer das suas constantes viagens como professor que efectuava aos colégios ingleses e americanos que Pierre de Coubertin pensou na proposta de alteração do sistema de educação em França. Ambicionava incluír no programa escolar, o desporto, que acreditava ser um aspecto importante no desenvolvimento individual dos jovens. Foi após ter realizado uma competição internacional para promover o atletismo e à mercê do crescente interesse internacional nos jogos olímpicos da antiguidade, em parte devido às recentes descobertas arqueológicas nas ruínas de Olímpia, o barão de Coubertin concebeu um plano para fazer reviver os Jogos Olímpicos. Para divulgar o seu projecto, organizou um congresso internacional em 23 de Junho de 1894 na Sorbonne em Paris. Aí propôs que fosse reinstituída a tradição de realizar um evento desportivo internacional periódico, inspirado no que se fazia na Grécia antiga. Este congresso levou à constituição do Comité Olímpico Internacional, do qual o barão de Coubertin seria secretário geral. Foi também decidido que os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna teriam lugar em Atenas, na Grécia e que a partir daí, tal como na antiguidade, seriam realizados a cada quatro anos (uma Olimpíada). Dois anos depois realizaram-se os Jogos Olímpicos de Verão de 1896, que foram um sucesso.
A situação melhorou com a realização dos Jogos Olímpicos de Verão de 1906 que, utilizando o pretexto de comemorar os 10 anos da primeira edição, serviria para promover os Jogos como um evento internacional de consagração do desporto por excelência. A partir de então os Jogos Olímpicos continuariam a angariar prestígio e audiência, tornando-se no que hoje conhecemos. Pierre de Coubertin abandonou a presidência do COI após os Jogos Olímpicos de Verão de 1924, realizados em Paris, a sua cidade natal, pela segunda vez cujo sucesso foi muito maior que a anterior edição de 1900. Foi substituído no cargo por Henri de Baillet-Latour.
Pierre de Coubertin manteve-se como Presidente Honorário do COI até à sua morte em 1937 em Genebra na Suíça. Foi enterrado em Lausanne (local da sede do IOC) mas o seu coração seria sepultado separadamente, num monumento perto das ruínas da antiga Olímpia. O Tiro faz parte dos jogos olímpicos da era moderna desde a sua criação em 1896 devido ao interesse particular do próprio Pierre de Coubertin, 7 vezes campeão nacional de França em Pistola. O primeiro programa dos Jogos de Atenas incluia cinco disciplinas: duas de grosso calibre em Carabina (Espingarda e Espingarda Militar) e três de Pistola. Foi com grande prazer que o barão verificou que o Tiro era a modalidade com maior participação de atletas. Essa situação repetiu-se em todos os jogos subsequentes, o Tiro Olímpico é a modalidade que reúne mais adeptos. A inclusão do Tiro gerou alguma controvérsia num evento onde se pretendia consagrar a amizade e a aproximação entre os povos. No rescaldo da I Grande Guerra, a controvérsia agudizou-se por razões que são evidentes, houve um mau-estar e o número de participações foi sendo reduzido até culminar na sua erradicação nos Jogos de Amsterdão em 1928. Mas os adeptos do Tiro não esmoreceram e continuaram a insistir ajudados pelo enraizamento das tradicões que existiam no norte da Europa desde o Séc. XVI, todas as festividades locais tinham inevitávelmente no programa um concurso de Tiro. Assim, devido aos tempos agitados que se viviam na época e de forma a ser consensual, o Tiro Desportivo voltou a figurar entre as restantes modalidades olímpicas nos Jogos de Los Angeles em 1932. Hoje, passados mais de 80 anos do fim da I Grande Guerra e mais de 60 da II Grande Guerra o mau-estar já está completamente esbatido e a modalidade encontra-se em perfeita comunhão com o espírito olímpico. Conforme todos sabemos só à muito pouco tempo as mulheres puderam votar ou mesmo ter acção directa nos assuntos da política ou passar a ter o simples direito a organizar a sua vida, não em função da maternidade e do casamento, mas do livre arbítrio na escolha, conforme sucede com os homens. Nos Jogos Olímpicos era-lhes negada a possibilidade de participar. Sómente a partir dos Jogos do México em 1968 é que puderam ter acesso à competição. No início não existia separação, homens e mulheres disparavam juntos. A primeira mulher a obter um lugar no pódio foi a americana Margaret Murdock, em 1976 nos Jogos de Montreal no Canadá com uma medalha de prata. Para os Jogos de Los Angeles em 1984 também Portugal enviou a sua primeira representante feminina a atleta Maria Isabel Joglar na disciplina de Pistola onde obteve um 15º lugar. Foi também em 1984 que pela primeira vez houve quatro provas exclusivamente femininas, iniciando-se a separação entre atiradores masculinos e femininos. A partir dos Jogos de Atlanta em 1996 a divisão foi total. Portugal em 1996 enviou duas representantes femininas para a disciplina de Carabina, as atiradoras Sara Antunes e Carla Ribeiro. Actualmente, o Tiro rege-se segundo a orientação de uma federação própria, a Federação Internacional de Tiro Desportivo, cuja sigla é I.S.S.F. (International Shooting Sport Federation).
Citações de Pierre de Frédy que ficaram para a história
Bibliografia A recolha, a compilação e a tradução de textos de diversas proveniências foi efectuada pelo autor.
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Direitos de Autor ® Actualizado: 05-08-2006
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